Diálogos impossíveis.
Vizinho bate à porta.
_ Olá, sou seu vizinho do 901. Desculpe incomodar a essa hora, mas do meu apartamento ouço a música que toca no seu cd player... É só pra dizer que eu também curto Pink Floyd e acho que Time tem mesmo que ser ouvida no último volume...
ou
_ Olá, sou seu vizinho. Vi que você estava escutando Eleanor Rigby, que por sinal é minha música favorita. É que eu comprei um box importado com toda discografia dos Beatles e não tenho tido tempo pra escutar, então se você quiser emprestado...
ou
_ Olá, cara, beleza? Moro no apê do final do corredor. Vi que você tava tocando guitarra com o ampli a mil... Eu toco baixo. Sou parceiro para fazer um blues...
ou, por fim
_ Meu caro vizinho, bati à sua porta só para dizer que percebi o seu semblante angustiado hoje no elevador. Talvez esse livro do Sartre possa lhe ajudar...
quarta-feira, 12 de maio de 2010
segunda-feira, 10 de maio de 2010
livros na estante
Hoje fui a uma palestra com o um psiquiatra. Enquanto a platéia fazia perguntas, um amigo ao lado me falou sobre um "universo sublime", referindo-se à ampla gama de assuntos interessantes que estavam sendo abordados pelo palestrante, a maioria deles relacionados à psicanálise. Concordei imediatamente, e gostei do "universo sublime".
Em determinado momento, o palestrante disse que precisamos de duas coisas elementares: receber amor e aprender a nos decepcionarmos... Citou Neruda: "vivi para amar e partir..."
Ao chegar em casa, olhei para a estante dos livros de trabalho, e pensei: tanta leitura até hoje, e tão pouco interesse verdadeiro.
Pra ser feliz, talvez minha estante devesse conter outros livros...
Em determinado momento, o palestrante disse que precisamos de duas coisas elementares: receber amor e aprender a nos decepcionarmos... Citou Neruda: "vivi para amar e partir..."
Ao chegar em casa, olhei para a estante dos livros de trabalho, e pensei: tanta leitura até hoje, e tão pouco interesse verdadeiro.
Pra ser feliz, talvez minha estante devesse conter outros livros...
terça-feira, 13 de abril de 2010
Se não quiséssemos ser tão bons....
Se não quiséssemos ser tão bons, poderíamos ser muito melhores.
Confesso que escrever no blog tem sido difícil para mim nos últimos tempos. Em primeiro lugar, porque estou dedicado a uma empreitada profissional (ia escrever "vocacional") sem precedentes na minha vida. Em segundo lugar...
Bem, não posso afirmar com certeza qual é o outro motivo que vem me impedindo de me dedicar a essa atividade que, nos tempos de Ilha Metafórica (parece que isso foi há uma reencarnação atrás!), me foi tão especial.
Mas diria que tem a ver com um alto grau de autoexigência que venho me impondo recentemente. Explico.
Recentemente, passei por uma mudança de cidade (again) e por uma mudança de atividade profissional - embora ambas as mudanças ainda não tenham se consolidado e não sejam definitivas.
O fato é que essas mudanças configuraram uma passagem para uma posição que exige maior responsabilidade, ao menos sob um prisma bastante específico: o profissional.
E essa responsabilidade a ser assumida talvez venha exercendo uma pressão invisível na conformação de meu próprio espírito, engendrando, digamos assim, uma nova versão de mim mesmo: uma versão que se autoalimenta de uma cobrança exagerada por uma excelência de resultados nos mais diversos âmbitos.
É como se a exigência de maior responsabilidade em uma esfera específica (a profissional) se desgarasse do universo burocrático a que deve ficar confinada e estendesse seus tentáculos sobre áreas de minha vida em que não é preciso (e nem se deve) ser tão sério, nem tão responsável... como aqui nesse blog...
(Insight:)
Conviver com nossas limitações parece significar conviver com as limitações ao nosso desejo...
Não sei se coloco um ponto de exclamação ou de interrogação nessa frase, mas ela me faz refletir sobre a autoexigência, a autocobrança por um desempenho exemplar.
Talvez isso decorra de uma miopia pessoal que me faça imaginar que um ser sem limitações de capacidade ou desempenho seja um ser sem limites para seu desejo. Como se, ao superar alguma limitação que nos caracteriza (e nos torna humanos), derrubássemos uma barreira ao nosso desejo, de forma que a eliminação total de nossas imperfeições nos colocaria em total contato com o que desejamos. Nos colocaria, finalmente, na posse do que mais queremos...
(Freud, aqui com leve alteração na ordem)
Confesso que escrever no blog tem sido difícil para mim nos últimos tempos. Em primeiro lugar, porque estou dedicado a uma empreitada profissional (ia escrever "vocacional") sem precedentes na minha vida. Em segundo lugar...
Bem, não posso afirmar com certeza qual é o outro motivo que vem me impedindo de me dedicar a essa atividade que, nos tempos de Ilha Metafórica (parece que isso foi há uma reencarnação atrás!), me foi tão especial.
Mas diria que tem a ver com um alto grau de autoexigência que venho me impondo recentemente. Explico.
Recentemente, passei por uma mudança de cidade (again) e por uma mudança de atividade profissional - embora ambas as mudanças ainda não tenham se consolidado e não sejam definitivas.
O fato é que essas mudanças configuraram uma passagem para uma posição que exige maior responsabilidade, ao menos sob um prisma bastante específico: o profissional.
E essa responsabilidade a ser assumida talvez venha exercendo uma pressão invisível na conformação de meu próprio espírito, engendrando, digamos assim, uma nova versão de mim mesmo: uma versão que se autoalimenta de uma cobrança exagerada por uma excelência de resultados nos mais diversos âmbitos.
É como se a exigência de maior responsabilidade em uma esfera específica (a profissional) se desgarasse do universo burocrático a que deve ficar confinada e estendesse seus tentáculos sobre áreas de minha vida em que não é preciso (e nem se deve) ser tão sério, nem tão responsável... como aqui nesse blog...
(Insight:)
Conviver com nossas limitações parece significar conviver com as limitações ao nosso desejo...
Não sei se coloco um ponto de exclamação ou de interrogação nessa frase, mas ela me faz refletir sobre a autoexigência, a autocobrança por um desempenho exemplar.
Talvez isso decorra de uma miopia pessoal que me faça imaginar que um ser sem limitações de capacidade ou desempenho seja um ser sem limites para seu desejo. Como se, ao superar alguma limitação que nos caracteriza (e nos torna humanos), derrubássemos uma barreira ao nosso desejo, de forma que a eliminação total de nossas imperfeições nos colocaria em total contato com o que desejamos. Nos colocaria, finalmente, na posse do que mais queremos...
domingo, 28 de março de 2010
Indignação
Acabo de terminar (acabar de terminar?) Indignação. É mais um livro que dei de presente e agora leio em empréstimo (alguém mais faz isso?).
Desejo um dia conseguir organizar suficientemente meus pensamentos e explicar como, desde o Complexo de Portnoy, me identifico tanto com os personagens de Roth...
Mas não vai ser agora. Porque agora preciso dormir, porque amanhã preciso cumprir compromissos, porque essa é a coisa certa a fazer...
... e isso é o que faria Marcus Messner - cuja retidão inflexível e cujo senso de dever lhe renderam, aos 20 anos, a narração post mortem de Indignação.
Desejo um dia conseguir organizar suficientemente meus pensamentos e explicar como, desde o Complexo de Portnoy, me identifico tanto com os personagens de Roth...
Mas não vai ser agora. Porque agora preciso dormir, porque amanhã preciso cumprir compromissos, porque essa é a coisa certa a fazer...
... e isso é o que faria Marcus Messner - cuja retidão inflexível e cujo senso de dever lhe renderam, aos 20 anos, a narração post mortem de Indignação.
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