O comentário de Gustavo ao último post me mostrou que troquei os sinais nas fórmulas apresentadas. Agradeço não só por oportunizar a retificação quanto por haver lido o texto, motivo de felicidade para qualquer filósofo amador.
Em relação ao comentário de Savatelha, sinto que a frase "reaprender a equilibrar o desequilíbrio" merece uma análise mais aprofundada de minha parte, tarefa a qual me dedicarei no próximo post...
sexta-feira, 18 de junho de 2010
sexta-feira, 11 de junho de 2010
O preço da segurança II
Millôr fala na eterna chateação pela obediência irrestrita a cautelas excessivas (ver último post). Não se expor a riscos pode ser a saída para se viver longos anos . Mas o custo dessa diminuição de riscos não é, em si mesmo , um risco de infelicidade ?
Tenderia a dizer que sim . Mas não há uma resposta correta , pois há quem se contente em não atravessar a rua , não viajar de avião , não sair à chuva .
Se você não se enquadra nessa situação de se contentar com o tédio , talvez pudesse se valer da equação existencial que segue (sendo “dano ” qualquer revés potencialmente doloroso e “chance de ser feliz ” qualquer aumento no grau de felicidade ):
Se a aplicação prática dessas equações não surtir o efeito desejado, estará provado que não adianta equacionar nada (a avaliação risco /ganho é inútil em termos existenciais), logo é inútil se evitarem os riscos , logo a busca da felicidade é única e imperativa regra ...
terça-feira, 8 de junho de 2010
O preço da segurança
Como uma amiga houvesse me perguntado “tudo bem? tudo bem, mesmo?” após ler o último post, resolvi desde logo escrever outro, este inspirando melhores humores.
Trata-se, em verdade, de uma citação colhida a esmo em um livro de estimação.
Mas não apenas uma citação, pois o texto é de Millôr Fernandes, escritor a quem não se pode atribuir qualquer predicado restritivo.
“Realmente, se você não atravessar a rua dificilmente será atropelado, se não entrar num avião é quase impossível que morra num desastre de aviação, se evitar correntes de ar terá menos resfriados, se não prevaricar manterá mais firmemente a harmonia do lar, se não beber cometerá menos desatinos, se gastar menos do que ganha terá sempre uma reserva para os dias difíceis, uma vida muito mais segura do que do estróina e pródigo. O preço da segurança é a eterna chateação”.
Trata-se, em verdade, de uma citação colhida a esmo em um livro de estimação.
Mas não apenas uma citação, pois o texto é de Millôr Fernandes, escritor a quem não se pode atribuir qualquer predicado restritivo.
“Realmente, se você não atravessar a rua dificilmente será atropelado, se não entrar num avião é quase impossível que morra num desastre de aviação, se evitar correntes de ar terá menos resfriados, se não prevaricar manterá mais firmemente a harmonia do lar, se não beber cometerá menos desatinos, se gastar menos do que ganha terá sempre uma reserva para os dias difíceis, uma vida muito mais segura do que do estróina e pródigo. O preço da segurança é a eterna chateação”.
(Dos Riscos de Existir. Conversa com Rubem Braga. 1971)
domingo, 6 de junho de 2010
Limitações reais. Limitações imaginárias.
Existe uma cena em um filme do Woody Allen – de cujo nome confesso não lembrar , embora suspeite seja “celebridades ” – em que uma noiva está no altar , prestes a se casar com um homem aparentemente honesto , aparentemente fiel e aparentemente muito apaixonado por ela .
A protagonista da cena , no momento do sim , abandona o altar e sai correndo porta afora . Vagueia pela rua e entra na casa de uma quiromante , a quem explica ter acabado de deixar para trás aquele que poderia ser o homem da sua vida .
A quiromante lê a mão da noiva e lhe tranqüiliza, dizendo para procurar o noivo abandonado, pois ele a amava e a aceitaria de volta .
A cena deixa claro : a noiva acreditava piamente não merecer a sorte de haver encontrado alguém que verdadeiramente a amava.
E assim pensava não apenas porque seu último casamento fracassara; ou porque seu ex-marido (com quem fora casada por 20 anos ) a ignorava e a traía.
Quando estamos próximos de conquistar algo desejado, mas supomos que alguma desgraça imprevista acontecerá e nos privará da felicidade, não estamos nos comportando como essa noiva de Allen?
No filme, a fuga do altar (fuga da felicidade) foi remediada adiante, mas na vida real nem sempre há uma segunda chance...
No filme, a fuga do altar (fuga da felicidade) foi remediada adiante, mas na vida real nem sempre há uma segunda chance...
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